segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ano 2011 em meia dúzia de palavras

Balanço, sonhos, realizações, pendências e, acima de tudo, saúde e amor! Foi o que vivi. Espero que vocês tenham vivido intensamente o ano de 2011, e estejam entusiasmados com 2012!

Pretendo presentear a pessoa que mais comentou no blog (foi você Mallu;  vou entrar em contato com você em janeiro/2012, assim que chegar de férias, para acertar os detalhes).

Estou de férias de palavras... não sei como vou sobreviver, mas essa pausa é necessária de vez em quando, para reorganizar a casa. Porém sinto os altos e baixos de uma dieta radical.

Se eu não resistir, volto a aparecer.

Um abraço demorado em todos,
Silvia


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

06 reasons to start learning Portuguese and visit Brazil


1. The next World Cup will be held in Brazil in 2014. Two years are more than enough to speak Portuguese fluently. 

2. The Olympic Games 2016 will also be held in Brazil. If you are perfectionist, you have four years to get even more fluent.   

3. Portuguese language is easier than Russian and Mandarin (Chinese language);

4. Portuguese is similar to Spanish. If you learn one it is half way to understand the other. But Portuguese has more phonetic sounds than Spanish, which means that if you learn Portuguese, it is much easier to understand Spanish than the other way around.

5. Although Brazil is not yet a racial paradise, we are getting there; this is one of our goals. So, it's quite sure that you will feel more welcome in Brazil than in anywhere in the world. Please, visit and let us know.

6. Brazilians are curious, funny and open-minded. It may sound like a myth, but it isn't. If you met a Brazilian that has not one of those profiles, you met an exception. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Por que cultivar paixões é fundamental?

Porque ao invés de discutir fatos, ou mágoas, compartilhamos sabores.


Porque nossa alma pode brindar ainda que não tenha com quem.



Porque nos tornamos mais interessantes, quiçá mais jovens.



Porque nos mantemos conectados com algo invisível que muitos são capazes de observar e sentir entusiasmo.



Porque se cria um espaço em relação ao parceiro, ao trabalho, e à família; e todos podem sentir nossa saudade.



Porque se tudo der errado, podemos nos entregar completamente a algo nosso e, por algumas horas, estaremos salvos.



Porque nunca houve um momento tão propício para cultivar paixões, como no século XXI. Não precisa mais esperar se aposentar.



É do estilo discreto? Tem vergonha? Quem não puder ser ridículo, não pode ser livre.



Liberte-se, apaixone-se, cultive e espalhe.




Posts relacionados ao assunto:
Por que viajar é tão bom?
05 motivos para escrever um blog
06 dicas pra quem quer começar alguma coisa

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Farewell letter


A year and a half ago my boyfriend and I landed in Australia. I had never thought of visiting or living in this country.

But here I was.

On the way from the airport to our new house, it was kind of cold, but when finally we got around our neighborhood we felt warm and smelt flowers. We dropped our stuff there, my boyfriend went straight to work, and I went to get acquainted with the city.

When I left our flat, it started raining. I was the only surprised person around, staring at the sky and looking for an explanation.

“That is Melbourne’s weather. Do you reckon?” A local joked while passing by.

Reckon?! I murmured. A new town and language had been presented to me.

On that day I walked, walked, and had coffee.

The Melbournian cafés are great places to get information for free. You buy a coffee and get а newspaper, ask questions and get answers.

“Where can I get internet and a computer?”

“Go to Victoria State Library (VSL).”

There I got connected to everything: movies, theater, courses, books and smart-gentle people. All librarians and workers from VSL deserve my gratitude.  

I felt at home.

But more surprises were on my way.

The more I walked, the more I found restaurants from all over the world to eat at, tango venue to dance, I met people from all places on earth and learnt more than I could ever imagine.

There are plenty of simple things aussies can do that most of world population cannot.

You can’t imagine how luxurious it is to drink tap water.

You go to the street and protest. You can occupy. You may face some resistance; it’s part of the job.  

Australia is a free country.

Here you can change how things work. Not long ago, you had a non-multicultural policy, and because you were free to protest, you made this country one of the most diverse in the world.

If you doubt about your freedom, ask you Asian friends what their countries are like; and they will tell you there are issues that they cannot even mention. 

I know there are things to improve. There are policies that need daring decisions: NBN, climate changes, and so forth. If you allow me, I have a hint on the NBN issue: listen to your telecommunication minister; he is brave and is doing something that companies promised but didn’t deliver.

And there are those issues that will teach us to love the unknown: refugees and aborigines, for example. I believe soon we are going to see all human beings as a culture resource and we will welcome everyone.

You have plenty of work.

But no dramas, as you taught me.

One more word about an issue which is also in vogue: gay marriage.

“Ms. Gillard, woman of wisdom, power and passion, please, put Australia in the avant-guard move. I guess that on the very next day after your approval, people will wave flags saying “yes, I do.”  

By the way, aussie women are very outstanding. Do you remember Anna Bligh’s speech on the day following the flood? You guys should appreciate your girls more.    

For all these reasons, 2010/11 was the year, in which I recaptured a childlike innocence of eye.

Everything was there for me to discover and enjoy.

And I did.

So, my aussie friends, I would like to say one more thing to you.

Don’t take Australia for granted.

And if you ask me why I don’t live here for the rest of my life, I have an answer.

Because there are two things I cannot change: my mother tongue and my homeland. Brazil is my homeland, and it will always be.

But Australia is my castle, the castle.

Please, take care of it.

Cheers,
Your Brazili-aussie friend Silvia.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Leituras feitas em 2011, e outras adiadas para 2012



  1. Talese, Gay. Frank Sinatra has a cold;
Quando li não acreditei que era só uma crônica (achei que era verdade). Se um dia eu escrever assim, vou me achar o máximo.

  1. Krakauer, Jon. Into thin air;
Esse livro é um relato sobre a vaidade e a ambição humanas.

  1. Lamott, Anne. Bird by bird: instructions on writing and life;
Esse é uma divertida instrução sobre a vida, com dicas para quem quer escrever.

  1. Vargas Llosa. Cartas a um jovem escritor;
É um manual para todos os escritores do mundo.

  1. Monteiro, Rosa. A louca da casa;
Reconheça a sua louca da casa com Rosa Monteiro.

  1. Gilbert, Elizabeth. Comer, rezar e amar;
Sei que muitos acham esse livro clichê, mas Elizabeth Gilbert mostrou que estamos todos buscando sair das cartilhas que nos metemos; estamos todos querendo saber se mudarmos (de tudo), mudaremos. Ela relata com sinceridade as angustias femininas.

  1. Tolle, Eckhart. New earth;
Serve para reconhecermos o que não somos. Quem sobreviver, verá.

  1. Robin, Kevin. How finding your passion changes everything;
Um bom livro para quem trabalha na área de educação, ou quer saber sobre as novas possibilidades de apredizado.

  1. Hemingway, Ernest. A moveable feast;
A jornada do Hemingway em Paris.

  1. Magenta, Emma. The gradual demise of Philipa Finch;
Para todas as mulheres que quiserem rir de si mesma, e para todos os homens que quiserem conhecer a capacidade inventiva amorosa da mulher. É hilário.

  1. Brande, Dorothea. Becoming a writer.
Para quem quer descobrir-se escrevendo. O livro que ensina a mágica dos escritores. Leia e faça os exercícios se você tiver paixão por escrever.

  1. Wallace, David F. Shipping out.
O DFW, como é conhecido nos EUA, é querido e comemorado. Eu normalmente gosto do que todo mundo gosta, porém surpreendentemente não gostei dele. Sofri ao ler Shipping out. Todos no meu grupo de leitura o idolatraram e eu não me manifestei; fiz a minha declaração por escrito e entreguei para facilitadora do grupo (todos americanos, exceto eu). Não sei se ela gostou ou ficou chocada, mas ela disse: I'm intrigued by your reading of David Foster Wallace and really appreciate it”. E eu me achei o máximo por ter sido honesta comigo e com ela, sem diplomacia.

  1. Guillermoprieto, Alma. Garbage.
Ela é extremamente convincente. O que não gostei foi do fato de (eu) continuar tendo uma visão única sobre o México (assunto sobre o qual ela escreve).

  1. Dalrymple, William. Letter from India serving the Goddess.
Um dos melhores escritores de viagens que eu já li até hoje. Um assunto delicado, cenas fortes e nenhum julgamento. Se um dia eu escrever assim, vocês vão me achar o máximo.

  1. Thubron, Collin. Shadow of the silk road.
Começa bem, mas depois usa os personagens para nos convencer das suas ideias. Durante a leitura, às vezes, eu me sentia manipulada.

  1. Hawthorne, Nathaniel. The Birth-Mark.
Sobre a ambição do conhecimento.

  1. Wilde, Oscar. The happy prince.
Sim, eu queria escrever como o Oscar Wilde.

Atual leitura: Bird, Isabella. Letter 2 from The Hawaiian Archipelago: Six Months among the Palm Groves, Coral Reefs, and Volcanoes of the Sandwich Islands.

Livros comprados, começados e não terminados, que serão (espero) lidos em 2012. Seguem também as desculpas para cobrir a minha vergonha de ter suspendido as leituras.

  1. Madame Bovary (comecei a ler no avião, guardei e só achei depois de ter começado outro livro),
  2. Innocents abroad (comecei a ler antes de viajar a China; parei para ler sobre a China);
  3. Antes do anoitecer (não sei por que parei),
  4. Grande sertão: veredas (tem cenas fortes; vou me preparar melhor para voltar a ler),
  5. Four-hour-work-week (tenho um concorrente dentro de casa lendo esse livro; cedi porque tenho esperanças de que ele trabalhe menos).

Se você tiver alguma sugestão de livro para 2012, por favor, deixe um comentário ou envie um email para sertaolivre73@gmail.com .

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

10 Things an expat partner must be prepared to hear more than 100 times

1. “Are you his/her partner?”

2. “What do you do the whole day?”

3. “What do you do when your partner is traveling?”

4. “How do you cope with domestic work?”

5. “You must have a goal while you are here.”

6. “Do you have an occupation?”

7. “Is your degree useful here?” (I feel like answering: yes, for filling forms at the airport border.)


8. How do you make friends?

9. “You are very lucky.”

10. “The only thing you have to do is to keep your partner in this job.”



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fórum Shakespeare no Rio de Janeiro

Texto do site do British Council. Para mais informações:
http://www.britishcouncil.org/br/brasil-artes-forum-shakespeare.htm

Iniciativa do People’s Palace Projects com patrocínio do British Council, evento integra celebração dos 25 anos do grupo Nós do Morro.

Integrantes da Royal Shakespeare Company (RSC), uma das mais prestigiadas companhias teatrais britânicas do mundo, ministrarão no Rio de Janeiro, a partir de 18 de novembro, uma série de workshops.

Membros da companhia britânica, Cicely Berry e Justin Audibert conduzirão workshops para diretores e atores do Nós do Morro e alguns convidados na sede do grupo no Morro do Vidigal. Os workshops acontecem nos dias 18 , 19, 21 e 22 de novembro. Dia 23, Cicely Berry e Justin Audibert ministram uma masterclass no auditório da Academia Brasileira de Letras, direcionada a artistas e convidados e público em geral.

A comemoração será dupla, já que neste ano a RSC completa 50 anos de fundação e um denso trabalho de difusão e de pesquisa da obra de Shakespeare. “É uma honra poder comemorar esta data com a Royal Shakespeare Company na nossa casa. Mais do que a confraternização, é um tempo de estudo e aperfeiçoamento artístico”, fala Guti Fraga, diretor e fundador do Nós do Morro.

“Esse intercâmbio torna nossa interação e o nosso projeto ainda mais rico, pois a Royal Shakespeare Company traz a experiência de trabalhar o legado deixado por esse escritor inglês, e o Nós do Morro dá um sopro de vivacidade e energia todas as vezes que eles se envolvem. É algo extraordinário. É muito fácil, depois de anos encenando, trabalhando com teatro, perder o frescor do fazer teatral. Com o Nós do Morro isso não acontece”, fala Paul Heritage, diretor do PPP, ONG responsável pelo intercâmbio cultural entre Brasil e Inglaterra através do Fórum Shakespeare.

Programação diária do Fórum Shakespeare no Brasil

Dias 18 e 19/11, sede do Nós do Morro. 10h30 às 14h: workshop de Cicely Berry com grupo de 25 pessoas escolhidas pelo Nós do Morro. 14h às 18h : workshop com Justin Audibert com grupo de 25 pessoas escolhidas pelo Nós do Morro.

20/11. Pausa.

21 e 22/11, sede do Nós do Morro. 10h30 às 14h: workshop com Cicely Berry com grupo de 25 pessoas escolhidas pelo Nós do Morro. 14h às 18h: workshop com Justin Audibert com grupo de 25 pessoas escolhidas pelo Nós do Morro. 15h às 18h: Cicely Berry faz um workshop específico para os grupos de teatro Casa das Fases (Londrina) e Entelechy (Londres) para compartilhar experiências.

23/11, masterclass na Academia Brasileira de Letras
Evento gratuito. Horário de chegada: 16h. Local: ABL (Avenida Presidente Wilson 203, Castelo)
16h15 às 17h: masterclass com Cicely Berry, diretora de voz da RSC/ 17h10 às 17h40: pronunciamento de Adriana Rouanet, do grupo Casa das Fases/ 17h45 às 18h15: masterclass com Justin Audibert, diretor da RSC
18h15: encerramento.

Texto do site do British Council. Para mais informações:
http://www.britishcouncil.org/br/brasil-artes-forum-shakespeare.htm

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Modos e modas na Nova Zelândia

Os kiwis, denominação dos moradores da N.Z., gostam de esportes, apreciam ir ao trabalho de bicicleta, são amantes da natureza, andam descalços no verão, entornam o caneco, muitos se tatuam, e fumam feito os europeus. Apesar da quantidade de fumaça, há um grupo de kiwis que pretende transformar o país num smoke free country. Ousado, não?

Pelo contexto visual, os kiwis têm uma relação amistosa e de respeito com o seu povo nativo Maori, pois lhes fazem referências, como a representação do haka(dança tradicional de guerra dos nativos Maori) nos jogos de rugby, e lhes prestam homenagens, exibindo mostras da interação entre os colonizadores ingleses e os primeiros habitantes. É comum em prédios públicos a presença de sinalizações em ambas os idiomas: inglês e Maori.

Há também gente de todas as partes de mundo! Um incentivo à diversidade, assim como na Austrália. Outro ponto em comum é o apoio aos movimentos de rua e protestos, como o occupy movement.

Reza a lenda que há uma rixa entre aussies (australianos) e Kiwis. O motivo da rixa é aquele semelhante ao existente entre quaisquer países vizinhos: tem que haver alguém de quem possamos rir e nos sentir melhores. Na prática, os dois países têm fortes ligações políticas e de mercado, e a rixa não passa de motivo para piadas.

Não sei se foi coincidência, mas todos me pareceram amigáveis, solícitos, amáveis e gentis (muito:). Por isso, lidar com os kiwis foi fácil e aprazível.

Talvez você goste do post:

Nova Zelândia - primeira impressão

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nova Zelândia – primeira impressão

Sempre que ouvia falar da Nova Zelândia, os esportes radicais e a natureza eram os assuntos predominantes; e embora nunca fosse mencionado expressamente, os turistas e reportagens faziam tantas referências à cidade de Auckland, que eu achava se tratar da capital.

A capital da Nova Zelândia é Wellington, no entanto.

Wellington é uma cidade pequena, com praia sem onda, limpa, cheia de cafés, bares, restaurantes, e perfeita para pedalar, correr ou andar a pé, se você quiser encarar o vento.

Bem-vindos à Windy Wellington, dizem os locais aos recém chegados.

Olhando a cidade de costa para o mar, é fácil perceber que a especulação imobiliária e a arquitetura moderna fazem parte do cenário. Porém ainda é possível localizar prédios antigos com estilos art deco, que deixam a capital ainda mais charmosa.

As áreas verdes são visíveis de qualquer ponto turístico de Wellington.

Ansiosa para conhecer a natureza exclusiva desse país, formado por duas ilhas principais (ilha do norte e ilha do sul) e cercado por ilhotas, não economizei e me meti mato a dentro.

Levei meu caderninho de anotação para registrar as espécies raras de animais.

Observa de lá, observa de cá...

Passou um pássaro, depois (muito depois) outros poucos. Não deu pra ver direito.

“Os pássaros mais raros daqui são noturnos. É melhor voltar amanhã à noite. É mais caro, porém vale a pena.”

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Acho que ouvi a voz do Fernado Pessoa soprando no meu ouvido. Quis revidar dizendo que meu bolso era pequeno, mas fiquei com vergonha, e paguei os NZ$76 dólares para fazer o passeio noturno.

Ao chegar, à noite, no parque nacional Zealandia, recebi uma lanterna e algumas instruções. Não sei se por ansiedade ou se por falta do que fazer, pois adentrei o parque com uma hora de antecedência, puxei conversa com uma das guias do passeio; para ser sincera, grudei no pé dela, feito um cachorro no cio.

Ela não teve pra onde correr.

“What would you like to know?” A guia perguntou.

“A senhora não me leva a mal não, mas eu estou vendo poucos pássaros, e olhe que eu bato perna. Já fiz passeios por duas ilhas pequenas... cheguei na temporada errada?”

“Até a chegada dos europeus, havia, na Nova Zelândia, uma quantidade incontável de pássaros raros e praticamente não existiam animais mamíferos terrestres. Os colonizadores ingleses trouxeram vacas, gatos, ratos, dentre outros. Consequentemente, os pássaros juntamente com as florestas naturais foram destruídos. Os ratos e gatos comiam os ninhos e boa parte dos pássaros foram extintos.”

“Os parques da Nova Zelândia não são originais? E só tem um restinho de pássaros?”

“We have approximately 5% of natural bush left. All you see is regenerated bush and most remain birds are in danger of extinction.”

Tudo é reflorestamento?!? Repeti a resposta para garantir que eu havia entendido.

“O reflorestamento vem acontecendo de 80 anos pra cá. Os europeus, durante a colonização, destruíram praticamente todas as florestas naturais.”

Pela primeira vez, senti um orgulho genuino pelo fato de o Brasil ter sido colonizado pelos portugueses. Além da dimensão do país, da língua do Saramago, a Amazônia contém floresta original.

“Olha ali um pássaro. Qual é esse?”

“Bellbird.”

Caminhamos, caminhamos e caminhamos...

“Mais dois. Como é o nome deles?”

“Saddleback.”

E para surpresa de todos, inclusive dos guias, fomos contemplados com a aparição do pássaro mais famoso do país: o kiwi. A propósito, esse é o apelido de quem nasce na Nova Zelândia.

Também nesse país é possível encontrar 12 das 17 espécies de golfinhos.

Num passeio de barco, em Picton, na ilha do sul, tive a oportunidade de observar, alguns pássaros marítimos (seabirds), uma foca e uma brincadeira de golfinhos cuja espécie era diferente da que vi, no Brasil, em Fernando de Noronha, porém tão dócil quanto.

Apesar da destruição massiva das florestas pelos primeiros colonizadores, o país vai muito bem, regenerando as áreas verdes, e usando o turismo e os cursos universitários para estrangeiros, como alavanca.

New Zealand rocks.


Outro post sobre o assunto:

Modos e modas na Nova Zelândia


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

The funniest (maybe sweetest) things I heard dancing tango worldwide

1. Italy:

“Brava! You make me feel good. You know, I am Italian, I like to show off.”

2. España:

“¡Venga gitanaza!”

3. France:

“Est-ce que tu viens demain?”

4. Finland:

“I can’t embrace much. I am Finish.”

5. UK:

Can we have another dance?

6. Canada (French speaking party):

“Tu es comme l’eau.”

7. Australia:

“How long are you staying for?”

8. New Zealand:

“Where do you come from?”

“Brazil.”

“LOL. I am the luckiest man on earth.”

9. Argentina:

No words. The guy just moved his head towards the dancing floor and a bailar.


You may also like:

7 good reasons to learn to dance tango

sábado, 12 de novembro de 2011

Amor nos tempos do sertão

O sonho de Raimundo era rever o sertão, onde nasceu e viveu até a idade de 6 anos. Parecia uma promessa que ele havia feito; falava disso sempre que os filhos estavam de férias, numa tentativa de sensibilizar alguém para acompanhá-lo. No entanto, os filhos adolescentes tinham outras prioridades e ouviam a vontade do pai como um devaneio.



- Ser-tão... só o papai mesmo pra propor uma viagem dessa - murmuravam os filhos.



Anos mais tarde, Raimundo começou a narrar as suas histórias. Os filhos, já formados, as ouviam como anedotas, pois o conteúdo e o cenário pareciam oníricos.



Cavaleiros de gibão tangendo os carneiros; Cremiuda, a porca mais famosa do lugarejo; mutamba e croatá, as frutas nativas que, de tão ácidas, faziam a boca sangrar.



- O sertão do papai é totalmente diferente do da televisão -debochavam os filhos.



Mais anos se passaram, e chegou a época em que os filhos pediam a Raimundo que contasse as suas histórias; e essas começaram a incendiar a curiosidade daqueles jovens que só viam filmes de Hollywood.



Raimundo adorava contar como viviam bem no sertão, seus pais, Rita e Plácido, e seus cinco irmãos.



Perto da casa, havia um riacho intermitente. No período de chuva, conseguiam drenar água para as plantacões de arroz, feijão e mandioca. Na seca, tinham um buraco no chão; e de tempos em tempos, matavam um carneiro ou uma leitoa para celebrar um evento importante, a visita de um parente, ou jantar de natal.



Não havia quase nada em volta. O único local de divertimento só era acessível aos homens; era a casa da Bete, mulher experiente e de moral com os políticos. Ninguém falava sobre o assunto, quem podia frequentá-lo, o fazia e mantinha o segredo.



Só deixaram o sertão porque a escola mais próxima ficava a duzentos quilômetros dali. Seus pais tinham claro que seria difícil dar uma oportunidade melhor aos filhos. Foi uma decisão bem pensada, segundo Raimundo.



Raimundo é meu pai.



Durante parte das nossas vidas, a minha relação com o meu pai tinha uma aparência mais burocrática do que afetiva. Ele cumpria o papel de provedor, e eu cumpria o papel de filha, obediente.



Minha relação de parceria, desde a infância, foi com a minha mãe; talvez porque ela também era a intermediadora da casa. Meu pai nunca brigava; ele pedia para minha mãe fazer essa parte.



De modo que só vim conhecer meu pai de perto bem mais tarde... numa viagem ao sertão.



Enquanto viajávamos, ele contava os detalhes da sua infância. Nós ríamos, e ele se emocionava. Quanto mais nos aproximavámos do destino, mais inserido naquele universo ele se encontrava.



Houve um momento em que ele parou o carro no acostamento da estrada e se meteu sozinho mato a dentro e, quando voltou, tinha a boca cortada de tanto comer mutamba. Respeitamos e compreendemos o seu súbito desejo, porém nos demos o direito de dar boas gargalhadas.



Nem aparato tecnológico, como GPS, nem mapas foram utilizados para chegarmos ao local. Todos os caminhos pareciam evidentes ao antigo morador, apesar de terem se passado quase sessenta anos.



- Segue reto, dobra ali; segue que é logo ali.



Passaram-se os carnaubais e os buritizais; e tome légua de poeira e sol quente.






De repente...



- Olha ali o riacho à esquerda. Entra aqui... pode parar. Olha lá... a da direita é a nossa casa; e aquela ali é a casa do tio Pedro... ouvi dizer que o padre Benedito, que largou a batina, voltou a morar aqui depois de ter vivido anos na Europa... o jeito é bater palma pra ver se tem alguém morando.






Palmas batidas e padre Benedito abriu a porta. Parecia que havíamos descoberto um tesouro. Foi um movimento coletivo de se abraçar, de se emocionar, e tirar fotos que ave-maria. Depois dos cumprimentos, vieram o beiju e o cafézinho; tudo feito dali mesmo.



Padre Benedito, que havia largado a batina e se casado, ainda era conhecido por padre, e não se incomodava com o fato. Ele contou sobre as suas andanças pela Europa; e nós lhe perguntamos por que ele havia decido voltar.



- Porque gosto de viver da terra. Aqui planto, colho e aprecio. Vivo o ciclo da vida.



Depois de tantas memórias e recordações, padre Benedito perguntou se meu pai sabia por que Rita e Plácido haviam saído dali. Meu pai deu a explicação, que conhecia, sobre os estudos e oportunidades distantes.Padre Benedito limpou a garganta, tomou mais uma dose de cafeína e disse:



- Já que os atores não estão mais em cena, peço licença pra contar.



As emoções do meu pai estavam espalhadas por toda parte; que ninguém se atrevesse a juntar. Era a primeira vez que eu o via assim: frágil e forte feito o amor.



- Seu pai havia se apaixonado por outra mulher e marcou de fugir com ela. Uma vizinha ouviu a conversa e contou a Rita. No dia marcado para a fuga, Rita arrumou você e seus cinco irmãos e foi ao ponto do pau-de-arara. Na hora do embarque, Rita entrou e disse: vamos Plácido que já estamos todos aqui. E assim sua família partiu pra cidade; e Plácido deu adeus à amante - revelou padre Benedito.



Rita e Plácido, meus avós, tiveram mais sete filhos e viveram juntos até a morte.



Essa foi a viagem em que meu pai conheceu a história de seus pais, e eu reconheci o meu amor por ele.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Circuito

De início, ela vivenciou cada instante, sem compreender o que se passava. Ao longo do trajeto, parecia ter superado os atropelos do que não via e disse ter entendido o mal entendido. Contudo, voltou ao ponto de partida.

Diante dos próximos episódios, ela disse:

“Dessa vez é diferente; qualquer um pode ver.”

No entanto, aos poucos, as situações passaram de similares a idênticas; e tudo ocorreu como previamente.

Todos testemunharam.

Ela se disse que, dessa vez, havia compreendido.

Entretanto, completou a terceira volta.

No decorrer do quarto percurso, ela já buscava meios de vivenciar aquilo tudo de novo. Não sabia se para dar segurança à certeza, se por vício, ou por medo de perder o que, pelo menos, tinha.

Apesar disso, ela conversou com o ar e anunciou que tudo seria diferente; e fez exigências a quem passava por ali; e revidou o que atribuia como erros dos outros. Todavia, não conseguiu nenhuma promessa de que as coisas mudariam.

Não mudaram.

As situações repetiram-se, parecia a propósito, para que ela percebesse de modo diverso, porém a tolerância não chegou a tempo, uma cegueira lhe encheu de razão; e ela só se lembra de ter visto o que via antes.

Extenuada se disse doente, e se perguntava:

“Seria esse o meu destino? Ficar dando voltas, me apegando ao avesso da liberdade?”

Quis desistir de tentar de novo, porém não foi adiante com essa ideia; não se sabe se por cansaço ou perseverança.

Observou, analisou, fez cálculos, promessa e salvo-conduto.

Embora ela reconhecesse o que via antes, não sabia como evitar. Por isso, a contragosto, seguiu dando voltas, como se nem o freio soubesse usar.

Fez vários experimentos; mudou a atitude, os hábitos, o lugar onde comia, variou quase tudo.

E quando achou que estava em outra rota, as situações repetiram-se, talvez por ironia ou porque ela já havia se viciado no gosto da certeza. E ela deu voltas até se habituar. 

Num lampejo, ela disse que buscou os pontos de vista com os quais discordava; aceitou que esses não mudariam; e viu o que jamais poderia ter visto antes; inventou até o sentido; divertiu-se, e diante daqueles eventos transparentes, fechou os olhos.

E o circuito saiu do ar.

Mas isso durou somente até que eventos semelhantes lhe tomassem o equilíbrio.

Dizem que passou a vida assim, nesses altos e baixos, e enlouqueceu.