sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A concessão da palavra

Na cidade de Fefé, ninguém falava. Lá o governo decidiu que as palavras deviam ser concessão privada da empresa, que ganhou a licitação de comunicabilidade irrestrita. 
Então se alguém naquela cidade quisesse falar, tinha que comprar palavras. Alguns cidadãos tinham sorte e se deparavam com palavras atiradas ao lixo, ou ao vento que se encontravam presas às árvores. 
Todo e qualquer som passou a ser vigiado pela empresa. Ninguém podia fazer barulho, gemidos ou grunhidos, sem o devido recibo de compra daquelas expressões. 
A medida da concessão foi tomada, porque os cidadãos não se entendiam mais, xingavam-se uns aos outros por terem diferentes opiniões. Houve gente que matou parente, alegando que de acordo com o seu respectivo decoro, tratava-se de um imprestável. 
Embora se pudesse falar bastante nesse período, foi uma época triste. Os cidadãos davam-se ao trabalho de só se comunicarem por meio de rótulos. Eram os de lá, os de cá, os energúmenos, os atrevidos, os redondos, os palitos, e assim por diante. Era como se o carinho tivesse sido esquecido. 
Consequentemente, o sentimento de raiva logo se alastrou pela cidade e se transformou em ódio e vingança. 
Era gente da própria família que se deixou dominar pela raiva contagiosa e desdenhou o parentesco e a amizade. Era admirado aquele que se destacava entre os mais cruéis. 
Foi quando o governo teve a ideia de proibir a comunicação entre os que pensassem diferentes. No dia seguinte, estendeu a proibição a todos, para demonstrar a sua capacidade de justiça. 
A cidade ficou sem voz e a aparência de paz reinou, pois tanto os que gostaram da decisão quanto os que a odiaram não podiam se expressar. O silêncio cedeu espaço para uma espécie de trégua. As brigas passaram a ser internas. 
Na intenção de garantir a paz, o governo transportou os diferentes para um lado da cidade, e os iguais para o outro. Segundo o governo, houve uma sensação de vitória para um dos grupos, porém o grupo não foi identificado. 
Os iguais não tinham mais de quem falar. Em todo caso, se tivessem, já não podiam, a não ser que comprassem as palavras a serem ditas.
Os diferentes já se sentiam iguais até demais, e, embora quiserem falar, também não podiam. 
Sem palavras, a vida na cidade seguiu. Os moradores continuaram trabalhando.  Voltavam para casa exaustos de silêncio. 
Nos finais de semana, os moradores tentavam relaxar, mas o silêncio era ensurdecedor e, mais do que a paz, o tédio reinava. 
Um morador andando a esmo para combater o próprio tédio, encontrou misturadas ao lixo as palavras diversidade e viva. Olhou para elas e ficou confuso. Fazia tempo que já não lia. Repetia as palavras mentalmente, para não levantar suspeita. Repetiu tantas vezes que sentiu um calor e começou a correr feito louco. Já não fazia ideia por onde estava indo. 
Sem perceber, chegou ao lado de lá da cidade e se encontrou com os diferentes. Estava esbaforido, parecia que ia morrer. Entre todos, ele se viu diferente. Teve medo de ser reconhecido ali.  
Um dos diferentes percebeu o medo e lhe perguntou o que ele tinha nas mãos. 
Foi quando ele mostrou as únicas palavras que tinha em mente: viva diversidade. 

Dizem que tempos depois, os grupos se reuniram e lutaram para de dizer essas e tantas outras palavras, que lhe apertavam o coração. 

domingo, 25 de dezembro de 2016

O (meu) natal polonês

Por circunstâncias da vida, tive que passar o natal longe dos meus pais e familiares mais antigos. 
Desde o momento que recebi a notícia de que não poderíamos visita-los durante o natal, meu coração encheu-se de angustia, porque fiquei imaginando o quão triste seria o natal longe deles. Imaginava como seria solitário passarmos somente meu marido, minha filha e eu, porque natal tem um quê de quantidade e reminiscência. 
Para minha surpresa, na véspera do natal, uma amiga convidou-nos para passarmos com a família dela. A minha amiga é alemã, o marido dela é da Arábia Saudita, e a mãe dela polonesa. 
É óbvio que eu estava ansiosa. Não sabia o que levar nem como seria essa mistura de culturas numa noite de natal.
Chegamos cedo, como combinamos. Nada de jantar à meia noite. Jantamos por volta das 19 horas. Não conhecíamos a mãe da anfitriã; fomos informados apenas que a mãe falava e fumava muito. 
Antes de chegarmos ao jantar, estávamos um pouco tensos.  Já havíamos inventado até código para irmos embora mais cedo. 
Quando batermos à porta, a nossa anfitriã abriu e ouvimos um barulho forte de uma janela sendo fechada.
- Minha mãe acabou de fumar - ela justificou o barulho.
Até então eu não havia imaginado a aparência física da mãe dela; os atributos dados: fumante e falante, só me deixavam criar uma imagem embaçada e de difícil descrição.
Logo que entramos na sala, vimos a figura materna com um olhar singelo, cabelos brancos formando um coque, roupas claras e um jeito honesto de se comunicar. Dava a impressão de não querer perder tempo. Toda a tensão evaporou.
Sem titubear, a mãe anunciou que a ceia seguiria a tradição polonesa da época em que ela morava na Polônia, há mais de trinta anos.
- A mesa está posta com um prato a mais para caso alguém chegue de última hora. Comeremos primeiro uma sopa, depois uma massa, depois peixe e salada. Mas antes de comermos, faremos os nossos desejos um ao outro olhando nos olhos e compartilhando uma ostia polonesa.
Antes de nos sentarmos à mesa, ficamos revezando aos pares e compartilhando desejos uns para os outros. 
Somente quando fiquei frente a frente com o meu marido, eu me dei conta de que há tempos não nos dávamos alguns minutos de calma para nos olharmos nos olhos e desejarmos o melhor de nós mesmos um ao outro.
No final, observei também que desejávamos o que queríamos para nós mesmos. Não foi aquele desejo tradicional de saúde e paz. Cada participante deu-se ao trabalho de elaborar um desejo especial, como se acreditássemos que estávamos sendo ouvidos pelos anjos divinos. Quem sabe estávamos?
Estou compartilhando esse momento, porque pretendo espalhar esse modo polonês de compartilhar e desejar mundo a fora e pretendo fazer dele uma tradição onde quer que eu esteja.
Desejo a você que olhe nos olhos de quem quer seja e veja os seus desejos refletidos ali! Feliz Natal!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Trabalho voluntário


O chato de estar sem trabalhar em algum lugar fixo é que, além de ter pouco dinheiro, você quase não conhece novas pessoas.


Atualmente faço amizade no ônibus. É o único lugar onde fico sentada ao lado de alguém desconhecido por uma hora, pelo menos. 

Um dia dessa semana, eu me peguei torcendo por um pouco de engarrafamento, quando conheci uma jovem no ônibus. Ela devia ter uns vinte anos, cabelo naturalmente cacheado, lábios grossos, olhos e nariz grandes e bem definidos; podia ser minha filha. Puxei conversa, perguntando o que ela fazia. 

- Faculdade de engenharia - ela respondeu e perguntou o que eu fazia. 

Eu não queria decepcioná-la e, por isso, pensei em dizer que estava trabalhando, mas não sou boa de mentir pessoalmente; falei de modo sucinto que estava sem trabalhar e observei a reação dela. Ela ficou decepcionada, chegou a pedir desculpa pela intromissão. Falei que havia planejado e me preparado financeiramente para este momento. O olhinho dela brilhou. 

Não sei como nem por que, começamos a falar de intimidade amorosa. Ela perguntou como fazíamos no meu tempo. Quase tive um treco. Expliquei para ela que a minha geração teve tanta liberdade sexual quanto a dela. 

- Mas você é casada! - ela concluiu. Concordei com a cabeça, sem compreender a linha de raciocínio. Ela percebeu e me explicou que a geração dela não pensa em casar nem em namorar, praticamente. Ela pensa em independência financeira e autonomia. Fiquei impressionada com a segurança daquela jovem. Eu lhe expliquei que também dediquei a minha energia para a profissão e que isso me garantiu liberdade e autonomia. Contudo, admiti que gostava de namorar, que ficava triste e chateada se a pessoa só quisesse uma noite comigo, e que nunca fui santa e me meti em várias furadas amorosas, mas com o claro objetivo de conhecer alguém que tivesse a ver comigo, sem deixar a minha profissão de lado. 

Ela disse que hoje em dia é diferente, pois eles não têm tempo para desenvolver uma relação. As jovens querem, segundo ela, tanto garantir um bom desempenho profissional que não têm tempo para namorar. Ela mora em São Gonçalo, estuda na Gávea e também faz estágio. 

- A gente tem que confiar na gente e não depender dos outros. Quero ser solteira. Entende? 

- E romantismo e sexo? - perguntei baixinho.

- Uma coisa nem sempre tem a ver com a outra. A gente se relaciona sexualmente, mas namorar é outra história. O amor é um sentimento pra lá de sofisticado, ainda não sei o que é; até agora só senti paixão. Da minha experiência, paixão e sexo juntos só servem pra me afastar do meu objetivo de independência. Se deixar, toda semana eu me apaixono por um tipo diferente; chego a jurar que é o homem da minha vida. E olha que nem tenho tempo. Imagina se tivesse. Por isso, meu foco é o estudo e o trabalho. Chega de confusão, pelo menos por agora. 

Enquanto ela falava eu imaginava que ela poderia ser minha filha e fiquei ali almejando poder conversar francamente com a minha cria, sem julgá-la e sem querer que ela faça como eu fiz. 

- Como é o seu relacionamento com a sua mãe? Vocês têm um bom diálogo? - não me aguentei de curiosidade e perguntei.

- Você pode não acreditar, mas eu não converso com a minha mãe sobre esses assuntos, a gente se escreve num diário comum. Há muito tempo atrás, eu tinha uns dez anos, tive uns problemas sérios e não conseguia falar pra ninguém. A minha mãe me deu um diário e disse que eu poderia contar para alguém imaginário. 

Nesse momento, senti um arrepio e desejei que o mundo parasse. As feições daquela jovem, de alguma maneira, me eram familiar. Há uns dez anos, eu trabalhei numa grande empresa e fiz um trabalho voluntário de dar aulas para estimular a escrita de eventuais vestibulandos, que trabalhavam na central de atendimento da empresa. O coordenador da central abraçou a ideia e reuniu treze pessoas para participarem do projeto. Selecionei vários exercícios práticos e a cada dia eu lançava mão de um deles para manter um ritmo dinâmico, mas o principal era que eles escrevessem todos os dias; podia ser uma palavra, uma frase, ou uma página, qualquer coisa que representasse o dia vivido. O curso durou quatro semanas e a cada semana eu tinha menos alunos. Foi uma frustração difícil de esquecer. Somente três pessoas terminaram o curso. Duas delas tinham interesse em receber o certificado, pois poderiam tirar algum proveito dele; a terceira pessoa genuinamente me mostrava ao longo do curso a evolução dela e me contava aspectos da sua vida pessoal, através dos exercícios de escrita. O problema mais sério era em relação à filha, que estava sofrendo e não contava nada a respeito para ninguém. Durante o curso, distribuí cadernos e ela me pediu dois e disse que um deles era para filha; ela pediu para que a filha escrevesse uma palavra que representasse o dia vivido e, assim, ela ficou sabendo o que lhe passou. 

A jovem do ônibus era a filha da moça, que fez o curso comigo. Quando me dei conta disso, eu queria abracá-la, beijá-la, segurá-la no colo e dizer que eu tinha muito orgulho dela e da mãe, mas me contive. Eu não queria que ela percebesse que eu sabia detalhes da vida dela, que talvez ela mesma quisesse esquecer ou nem se lembrasse. Essa jovem era a prova de que algo bom pode advir de uma experiência dolorosa. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Frases a serem completadas

É realmente curioso sentir uma ponta de insegurança e receio de prováveis ridicularizações quando tenho vontade de postar algo mais ligado ao espírito. É como se isso me associasse de imediato a padrões de conhecimento inferiores.

Há quem suspeite de autoajuda, quem a menospreze e a julgue inferior. Já fui um desses suspeitos. Como se a distância desse gênero tivesse o condão de me transformar numa espectadora mais instruída e me dissociasse do depreciativo senso comum.


De uns tempos para cá, entretanto, acredito ter ultrapassado essa barreira. Em outras palavras e em termos práticos, quero que todas as técnicas e todos os tipos de fé funcionem a todo vapor. 

Foi acreditando nisso que decidi transcrever, da página da escritora Elizabeth Gilbert, as frases (a serem completadas), da Sarah Trimmer, uma mulher que teve um câncer severo e conseguiu, de uma forma simples, trazer para o seu cotidiano mais positividade, que coincidência ou não, trouxe mais qualidade de vida.

Hoje sou grata por/pela… minha vizinha, que ficou com a minha filha por uma hora, para que eu pudesse tomar um café e ler tranquilamente.

Hoje ajudei a… uma amiga, que não tinha tempo nem cabeça para desmarcar um compromisso pré-agendado, desmarcando pessoalmente o compromisso dela. 

Hoje aprendi que… só devo pronunciar o que quero que aconteça, pois todos os seres têm ouvidos e eles agem, em geral, rapidamente.

Amanhã vou... fazer outra coisa que me tire da zona de conforto, como esse post. 

E você, como completará essas frases?

Ah, não vai me dizer que você também teme ser ridícula?

Hoje também aprendi que quem não puder ser ridícula, não pode ser livre!




terça-feira, 15 de novembro de 2016

Quem sou eu para...?

Quem sou eu para achar que posso escrever um blog? Quem sou eu para fazer algo, que desperte nas pessoas ou em mim mesma, a vontade de continuar? 

Você já se fez essas perguntas?

Quando me faço essas perguntas, sinto como se eu fosse inadequada para tentar algo, que nunca fiz antes. 

"Ah, se você nunca fez isso antes, é porque não tem o talento para isso. Como você pode querer ser boa nisso?", pergunta a voz mental.

Como se a Terra fosse dividida entre os seres afortunados, que já nasceram fazendo algo incrível, e nós mortais, que gostaríamos de tentar algo novo, mas que despertamos um pouco tarde (ou tarde demais) para desenvolvermos uma nova habilidade.

Às vezes, aguardamos um diploma, ou a publicação de um livro, ou que alguém nos dê legitimidade, para começar algo novo, acreditando que isso vai nos garantir segurança. 

Não vai, não. O carcereiro mental vai sempre tentar nos convencer de que as condições ainda não são adequadas (e nunca serão). A questão é trabalhar a nossa capacidade de persistir nos nossos sonhos.

Refletindo sobre isso, eu me dei conta de que estou formulando a pergunta errada.

Provavelmente, as perguntas a serem feitas são as seguintes:

Quem sou eu (quem é você) para não sonhar e realizar? Quem sou eu para me submeter à prisão do meu próprio medo e não tentar?

No quebra-cabeça do mundo, somos únicos, igualmente a todos os outros. Como deixar faltar a nossa peça?

Então, a pergunta remanescente é:

Está esperando o quê? 




sábado, 12 de novembro de 2016

Porque as coisas não são como deveriam ser

Há um tempo, quando eu tinha uns trinta e cinco anos, diante das dificuldades de conhecer alguém, para compartilhar a vida juntos, decidi que gostaria de ser uma solteirona feliz. 

Porque estar com alguém só para dizer que tem alguém nunca fez o meu estilo. Além disso, naquela época, eu já havia aprendido a gostar da minha companhia. 

Foi um ano especial. As coisas pareciam ser como deveriam. Viajei bastante. Sozinha e, às vezes, com amigas. Assisti a inúmeros filmes. Sozinha e, às vezes, com amigas. Li desenfreadamente. Ficção, não-ficção, poesia e, às vezes, autoajuda. Escrevi diários e mais diários. Fiz cursos de quase tudo. Velas, feng shui, caixas decorativas, maquiagem, culinária etc. Foi um ano em que estive presente. 

Num jantar de família, cheguei a anunciar para a família que estava decidida a ser uma solterona feliz. Informei aos meus sobrinhos e sobrinhas que eles tinham a minha casa, para fazer tudo que eles não poderiam fazer na casa dos pais, desde comer com os cotovelos na mesa até levar os respectivos para noitadas românticas.

Ao ouvir a novidade, minha mãe pediu apenas que eu a poupasse dos detalhes, meu pai disse "Um-hum, você sempre foi exótica nas suas escolhas". Meu irmão assumiu que me invejava. Já a minha irmã riu que se engasgou. Tal engasgo tomou uma proporção maior do que o esperado e a minha decisão parece ter desafiado algum cupido desocupado, que espreitava a mesa.

Porque logo depois me apaixonei, de um jeito que não sei descrever. Quando digo logo depois, quero dizer poucos dias depois. Parecia um quebranto, cheguei a pensar que o rapaz havia amarrado meu nome da boca do sapo. Naqueles dias, quantas vezes eu me olhei no espelho e me perguntei:

- E quanto a nossa decisão?

Não houve qualquer resposta.

Então, foi justamente porque as coisas não são como deveriam ser que me casei. 

Aos 39 anos, ainda acreditando na garantia do livre arbítrio, decidi que não teria filhos. 

Bom, pela lógica da vida, você pode imaginar o que aconteceu. 

Desde então, tenho observado que, de direito, só posso escolher o meu humor, como interpreto o que acontece e como reajo às circunstâncias. Mas essa é uma história que vou contar em detalhes outro dia!




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ontem eu sonhei que estava em Moscou...


A verdade é que eu nunca havia sonhado que um dia estaria em Moscou. 
Mas a vida tem seus caprichos e adora nos surpreender, especialmente quando tomamos a expressa decisão de ficar quietinhos no nosso canto, seguindo uma rotina, como nunca fizemos antes.
Não vou aqui entrar em detalhes de explicar por que uma pessoa de natureza nômade tomou essa decisão radical. Digo apenas que da mesma forma que a vida tem seus caprichos, ela também tem seus mistérios, e agora tenho uma filha.
Voltando à viagem, em razão dos caprichos da cabotina, recebi um convite de uma amiga russa para passar uns dias em Moscou. 
É óbvio que aceitei, embora confesse que a primeira coisa que me veio à cabeça foi: "mas justo agora que preciso seguir uma rotina?"
“Agora ou nunca.” 
Diante dessa resposta da vida, pegamos um voo para Moscou.
Por mais que tenhamos esquecido as aulas de história sobre Rússia, é quase impossível não reativar a memória diante dos símbolos grafados nos monumentos e nas estações do metrô de Moscou, sobre marxismo, comunismo, revolução russa, dentre outros tópicos estudados no ano do vestibular. Transitar pela cidade é como embriagar-se de história.
É óbvio que Moscou de hoje é bem diferente de Moscou daqueles tempos de guerra fria. Com relação ao tema, os jovens, que conhecemos por lá, não sentem a menor saudade desse tempo, ou melhor, sequer se lembram bem dele. Mas os pais desses jovens o fazem com saudosismo. 
Diante dos prédios e monumentos, é possível sentir o quanto o ser humano é pequeno diante do sistema. Moscou parece maior que o mundo. A cidade parece devorar seus transeuntes.
O metrô pode ser comparado com o de Londres, pois ramifica-se pela cidade inteira. Apesar disso, o trânsito de Moscou é enlouquecedor.
Eu não gostaria de viver em Moscou, mas admito que os símbolos da cidade são capazes de entranharem-se na nossa memória, obrigando-nos a voltar para conhecê-la melhor.